Home Seções Marketing / Comunicação / Vendas Os Tipos de Derivados Clorados e Suas diferenças no Tratamento de Água de Piscina – por Camilo

Os Tipos de Derivados Clorados e Suas diferenças no Tratamento de Água de Piscina – por Camilo

CAMILO Responsável Téc.Químico da Empresa Mastersub/Consultor de Empresas e Condomínios CRQ: 03422243 Instagram: @camilo2mjt @piscineiro_criative

O cloro sem duvida é o desinfetante mais utilizado no tratamento de água de piscinas, mas você sabia que
existem diferentes tipos de derivados clorados e cada um com características próprias? Vamos mergulhar juntos nessa matéria e sabermos como que cada derivado clorado se comporta na água da piscina, sejam elas, residenciais ou coletivas.
A escolha do derivado clorado correto influencia diretamente na segurança, na eficiência da desinfecção e na durabilidade da água tratada. Nesta matéria, vamos mergulhar juntos e conhecer como os principais derivados clorados atuam na água da piscina, saber suas vantagens e desvantagens, a faixa de pH ideal para os derivados clorados, sua ação sobre o ácido hipocloroso e o íon hipoclorito, a importância do monitoramento do ORP (Potencial de Oxirredução) e a influência da Temperatura da água da piscina no cloro.

No tratamento de água de piscina o cloro pode ser encontrado em diferentes estados físicos:
Estado Sólido:
-Hipoclorito de cálcio (Ca(OCl)2) → Sólido (granulado ou tabletes)
-Dicloro (NaCl2C3N3O3) e Tricloro
(Cl3C3N3O3) estabilizados com ácido cianúrico (CyA)
Estado Liquido:
– Hipoclorito de sódio (NaOCl)
Estado Gasoso:* Gás Cloro (Cl2)
O que são Derivados Clorados?
São compostos químicos que contêm cloro ligado a outras moléculas que se dividem em orgânicos ou inorgânicos. Eles são usados principalmente como agentes desinfetantes.

Os principais derivados clorados usados no tratamento de água de piscinas são:
INORGÂNICOS – Hipoclorito de
Cálcio – Hipoclorito de Sódio;
ORGÂNICOS (Estabilazados)
– Dicloro – Tricloro.

Como agem na água?
Todas as formas de cloro, sejam os derivados clorados e os utilizados em cilindros (Gás Cloro), adicionados no tratamento de água de piscina, quando entram em contado com a água, liberam o ácido hipocloroso, o principal agente sanitizante.
O ácido hipocloroso se equilibra com o íon hipoclorito, dependendo do pH da água.

HIPOCLORITO DE SÓDIO (CLORO LÍQUIDO) – (NaOClO)
É conhecido como cloro líquido ou água de Javel. De cor clara,
ligeiramente amarelada, não hidroscópico, se decompõe na
presença de luz e tem leve odor característico. Sendo uma solução líquida com concentração de 10% a 15% de cloro ativo.O hipoclorito de sódio , quando adicionado à água da piscina, se dissolve completamente e sofre hidrólise, liberando íon hipoclorito e íon sódio
O íon hipoclorito reage com a água, estabelecendo um equilíbrio com o ácido hipocloroso, que é o principal agente desinfetante da piscina:

Produtos formados:
Ácido hipocloroso: Forma mais eficiente de cloro para desinfecção, melhor desempenho em faixa de pH ( 7.0 a 7.4).
Íons hipoclorito: Menos eficaz na desinfecção, predominante em pH mais alto.
Íons hidróxido: Elevam o pH da água.
Íons sódio: Inerte na água, mas contribui para o aumento do TDS
(Sólidos Totais Dissolvidos).

Efeitos do pH:
pH abaixo de 7,5: Predomínio de ácido hipocloroso, melhor ação desinfetante.
pH acima de 7,5: Maior formação de Íons hipoclorito, reduzindo a eficácia do cloro.

O hipoclorito de sódio tende a aumentar o pH da água, pois libera íons hidróxido. Isso pode exigir o uso de redutores de pH, como ácido muriático ou bissulfato de sódio, para manter o equilíbrio químico da piscina.

Veremos a reação do hipoclorito de sódio na água da piscina e ilustrar suas interações químicas.

1. Dissolução do Hipoclorito de Sódio na água
A dissolução do hipoclorito de sódio na água é um processo físico-químico no qual o composto se separa em íons, tornando-se ativo como agente desinfetante. Com o tempo, o Hipoclorito de sódio aumenta o teor de sal na água da piscina. Os íons sódio permanecem na água e se acumulam, contribuindo para os sólidos dissolvidos totais (TDS), especificamente na forma de sais.
Veja o que acontece passo a passo: Equação da Dissociação:
NaOCl (aq) → Na+ (aq) + OCl~ (aq)
Na+ : íon sódio – permanece na água como sal (contribui para o aumento do teor de sólidos dissolvidos).
OCl~ : íon hipoclorito – ajuda na desinfecção, porém, menos ativo que o ácido hipocloroso.
Reação com a água (equilíbrio com ácido hipocloroso):
OCl~ + H2O ⇌ HOCl + OH~
HOCl (ácido hipocloroso): forma ativa, muito mais eficaz na desinfecção. OH~: gera aumento do pH (água fica mais alcalina após aplicação do hipoclorito de sódio)

2. Equilíbrio entre Ácido Hipocloroso e Íon Hipoclorito
O íon hipoclorito estabelece um equilíbrio químico com o ácido hipocloroso, a forma mais eficaz do cloro para desinfecção. Esse equilíbrio é fortemente dependente do pH da água da piscina:
– pH entre 7,0 e 7,4 → Maior concentração de ácido hipocloroso (ótima desinfecção).
– pH acima de 7,5 → O equilíbrio desloca-se para a direita, formando mais íon hipoclorito, que é menos eficaz.
– pH abaixo de 7,0 → Pode causar corrosão de equipamentos e irritação na pele e nos olhos. Por isso, é
essencial manter o pH entre 7,2 e 7,4 para garantir uma boa desinfecção sem comprometer a qualidade da água.

3. Aumento do pH pela Adição de Hipoclorito de Sódio
Como mostrado na equação anterior, a reação gera íons hidróxido , que
aumentam o pH da água. Esse aumento pode ser controlado com ácido muriático ou bissulfato de sódio.

Decomposição do Hipoclorito de Sódio

O hipoclorito de sódio é instável e pode se decompor com o tempo, especialmente em contato com calor e luz solar. Ou, em condições adversas, pode liberar oxigênio. Isso reduz a eficácia do produto e pode exigir doses mais frequentes para manter o nível de cloro adequado. A decomposição do hipoclorito de sódio (NaOCl) é uma reação que ocorre com o tempo, especialmente sob calor, luz solar, presença de metais ou pH ácido. A decomposição leva à formação de cloreto de sódio (sal comum), oxigênio e outros
subprodutos.
Reação geral da decomposição: Hipoclorito de sódio se decompõe formando cloreto de sódio e clorato de sódio.
Essa é uma reação indesejada, pois o clorato de sódio não é desinfetante e pode ser tóxico em altas concentrações.
Em condições ácidas: O hipoclorito reage com ácidos (como o ácido muriático) liberando gás cloro,
perigoso e tóxico.
Vantagens:
– Baixo custo;
Alta taxa de solubilidade na água;
– Não deixa resíduos;
– Pode ser dosado manualmente ou automaticamente.

Desvantagens:
– Riscos de vazamento, derramamento e contaminação;
– Vida útil curta (degrada-se com calor e luz solar), com o tempo o cloro diminui;
– Aumenta o pH da água, ( pH = 13);
– Requer armazenagem cuidadosa.

Recomendo trabalhar com pH na faixa: 7,0 a 7,4.
Indicado para: Piscinas de grande porte e comerciais.

HIPOCLORITO DE CÁLCIO (CLORO GRANULADO) Ca(OCl)2
Conhecido comercialmente como cloro granulado, sólido ou seco. O hipoclorito de cálcio apresenta-se na forma de grânulos de cor branca, com teor de cloro entre 65% e 70%.O hipoclorito de cálcio ao ser adicionado à água da piscina se dissolve e sofre hidrólise, liberando íon hipoclorito e íon de
cálcio.
Em seguida, o íon hipoclorito reage com a água, estabelecendo um equilíbrio com o ácido hipocloroso: Produtos formados:
Ácido hipocloroso – o principal agente desinfetante da piscina.
Íons hipoclorito – forma menos efetiva do cloro, predominante em pH mais alto. Íons cálcio – contribuiem para o
aumento da dureza cálcica da água. Íons hidróxido – elevam o pH da piscina.
Se o pH estiver muito alto, a maior parte do cloro estará na forma de ion hipoclorito , que é menos eficiente na desinfecção. Se estiver mais baixo, haverá mais Ácido hipocloroso, que é mais ativo contra microrganismos.

1. Dissolução do Hipoclorito de
Cálcio
O hipoclorito de cálcio é um composto sólido e, ao ser adicionado à água, não se dissolve tão rapidamente,
dependendo da faixa de pH da água. Por que depende da faixa de pH?
Significa que o hipoclorito de cálcio fornece íons cálcio e íons hipoclorito para a água da piscina inicialmente e dependendo da faixa de pH ele pode converter o ion hipoclorito em ácido hipocloroso mais rapidamente, com isso, podendo dissolver mais rápido.

2. Equilíbrio do Hipoclorito na Água
Os íons hipoclorito estabelecem um equilíbrio com o ácido hipocloroso. Esse equilíbrio é fortemente
dependente do pH:
– pH abaixo de 7,5 → Predomínio de ácido hipocloroso, que é um desinfetante altamente eficaz.
– pH acima de 7,5 → Predomínio de íon hipoclorito, que é menos eficiente como desinfetante.
– Se o pH for muito alto, a maior parte do cloro ficará na forma de íon hipoclorito, reduzindo a eficiência da desinfecção.

3. Influência na Alcalinidade Total e no pH
O hipoclorito de cálcio aumenta o pH da piscina porque sua dissolução gera íons hidróxido.
Isso pode fazer com que a Alcalinidade total e o pH da água subam com o tempo.
O aumento do pH pode afetar a eficácia do cloro e a solubilidade do carbonato de cálcio, levando a incrustações (formação de carbonato de cálcio).

4. Decomposição do Hipoclorito de Cálcio
Se armazenado incorretamente ou exposto a calor, umidade ou luz solar, o hipoclorito de cálcio pode se decompor.
Essa reação gera gás cloro e pode reduzir a eficácia do produto.

Vantagens:
– Fácil manuseio e armazenagem;
– Fonte concentrada de cloro;
– Mais estável no armazenamento decompõe-se insignificantemente. quando estocado, o que lhe garante longa vida;
– Ajuda a corrigir a baixa dureza cálcica da água.

Desvantagens:
– Tem pH = 11, aumentando o pH da água (menos que o hipoclorito de sódio);
– Pode aumentar a dureza cálcica;
– Dissolução mais lenta;
– Pode deixar resíduos;
– Quando lançando diretamente em piscinas de vinil ou de fibra, descolore o piso.- Risco de inalação do produto;
– Riscos e cuidados na estocagem, pois se trata de um oxidante forte.
Recomendo trabalhar com pH na faixa: 7,0 a 7,4.
Mais indicado para: Piscinas de médio e grande porte, residências.

DICLORO E TRICLORO (CLORO
ESTABILIZADO)
O dicloro e o tricloro contêm ácido cianúrico , que protege o cloro livre da água da piscina contra radiação solar.

DICLORO: (NaCl2C2N2O3 )
Chamado também de:
• dicloro-s-triazina-triona de sódio;
• isocianurato de sódio.
É um pó granulado de cor branca, se dissolve rapidamente na água.
Ao reagir com a água, produz ácido hipocloroso e o sal sódico cianúrico. Reagido com a água, produz o ácido cianúrico, sendo chamado de cloro estabilizado. Com alta solubilidade e pequena influência no pH da água da piscina, fatores importantes no tratamento.

Apresenta Cloro ativo: 40% a 60%.
Vantagens:
– Fácil manuseio;
– Exerce pouca influência sobre o pH;
– Baixo consumo, comparado aos cloros não – estabilizados;
– Alta taxa de solubilidade;
– Sem cálcio na composição.

Desvantagens:
– Riscos de estocagem, devido ao teor de cloro disponível;
– Não é eficiente contra algas;
– Na operação de supercloração, aumenta o teor de ácido cianúrico na água.

TRICLORO: Chamado também de:
• tricloro-s-triazina-triona;
• ácido tricloro isocianúrico.
Em forma de tabletes ou bastões, dissolução lenta.
Usado em cloradores que ficam na tubulação de retorno, em série ou em paralelo, e em cloradores que flutuam na superfície da água da piscina. Esses cloradores permitem ajustes na quantidade de cloro introduzido na água.
Os tricloros não devem ser introduzidos diretamente em piscinas de vinil ou fibra, pois podem manchar o acabamento.

Tricloro depois do cloro gás, possui a maior concentração de cloro ativo.
Cloro ativo: 90%.
Liberação lenta, ideal para manutenção.

Vantagens:
– Proteção contra degradação pelo sol;
– Liberação gradativa do cloro (Tricloro);

Desvantagens:
– pH = 2.8 (em solução de 1%), devendo corrigir constantemente o pH e Alcalinidade Total da água da piscina;
– Na operação de supercloração, aumenta o teor de ácido cianúrico, reduz a eficácia do cloro livre;
– Não é eficiente contra algas.

Faixa ideal de pH: 7,2 a 7,4.Indicado para: Piscinas residenciais expostas ao sol

SOBRE A ESTABILIZAÇÃO OU BLOQUEIO DO CLORO
Há críticas a cerca dos estabilizados clorados por conta da alta concentração de ácido cianúrico (CyA) afirmando que, quando é superior a 100ppm, pode inibir parcialmente a ação desinfetante e oxidante do cloro. Isso exige o uso de maiores concentrações de cloro, o que acarreta diversas desvantagens operacionais e de segurança.
O ácido cianúrico interage com o cloro na água da piscina formando ligações de hidrogênio, não ligações covalentes ou iônicas.
Essas ligações de hidrogênio ocorrem entre os átomos de nitrogênio no anel do ácido cianúrico e o ácido hipocloroso, a forma ativa do cloro na água. Essa interação estabiliza o cloro, retardando sua degradação sob luz UV do sol.
O ácido cianúrico faz 6 (seis) ligações com o cloro na água da piscina dosando a sua liberação, representam os vários derivados clorados do ácido cianúrico conforme ele se liga ao ácido hipocloroso na água da piscina.
Essas são as espécies N-cloradas específicas formadas em equilíbrio.
DECOMPONDO AS SEIS ESPÉCIES

HClCy → Ácido cianúrico monoclorado (um Cl ligado);
H2ClCy → Outra forma de ácido cianúrico monoclorado (dois H, um Cl); HCl2Cy → Ácido cianúrico diclorado (dois Cl ligados);
Cl2Cy → Outra forma de ácido cianúrico diclorado (sem H, dois Cl); ClCy → Uma forma monoclorada
diferente (um Cl, nenhum H);
Cl3Cy → Ácido cianúrico triclorado
(totalmente clorado).

Reação de equilíbrio químico em água
CyH3 + HOCl 2 = HClCy + H2O
HClCy + HOCl 2 = HCl2Cy + H2O HCl2Cy + HOCl 2 = Cl2Cy + H2O

Este equilíbrio é dinâmico, e a forma dominante depende dos níveis de pH e cloro.
Existem em um equilíbrio dinâmico com cloro livre e ácido cianúrico (CyA), influenciados pelo pH,
temperatura e concentração de cloro.

ENTENDIMENTO ESTRUTURAL

Ácido cianúrico tem três grupos amida (-NH), que podem ser parcial ou totalmente substituídos por cloro (Cl) do ácido hipocloroso (HOCl), formando derivados N-clorados;

– Espécies monocloradas (HClCy, H2ClCy, ClCy): Um hidrogênio é substituído por cloro;
– Espécies dicloradas (HCl2Cy, Cl2Cy): Dois hidrogênios são substituídos;
– Espécies tricloradas (Cl3Cy): Todos os três hidrogênios são substituídos por cloro.

REDUZ A ATIVIDADE DO CLORO LIVRE
Embora o CyA estabilize o cloro, ele também reduz seu poder de oxidação e desinfecção porque o HOCl ligado ao CyA é menos reativo. Quanto maior a concentração de CyA, menor a porcentagem de HOCl ativo (não ligado) disponível para higienização.

ALTERA A PROPORÇÃO HOCl/OCl~
Normalmente, o pH da água da piscina determina o equilíbrio entre o ácido hipocloroso (o sanitizante ativo) e o íon hipoclorito (desinfetante mais fraco). Quando o CyA está presente, o ácido hipocloroso está em equilíbrio com o CyA, alterando o equilíbrio e reduzindo a concentração efetiva de ácido hipocloroso. Isso significa que em um determinado pH (por exemplo, 7,2–7,4), o poder de desinfecção real é menor quando o CyA está alto.

REQUERENDO NÍVEIS MAIS ALTOS DE CLORO LIVRE
Como o CyA reduz a quantidade de ácido hipocloroso livre e ativo, as piscinas com CyA precisam de um nível mais alto de cloro livre para manter a higienização eficaz.
Uma diretriz comum:
– CyA 30–50 ppm → Cloro livre 5–7,5% de CyA;
– CyA 70–100 ppm → Cloro livre 7,5% ou mais.
Por exemplo, a 50 ppm de CyA, o cloro livre mínimo necessário é de cerca de 3–4 ppm para uma
desinfecção eficaz.

COMO CALCULAR O NÍVEL
ADEQUADO DE CLORO LIVRE COM BASE NO CyA
Uma regra amplamente aceita na química de piscinas é que o cloro livre (FC) mínimo deve ser de 5 a 7,5% do nível de ácido cianúrico (CyA) para garantir uma desinfecção eficaz.
FÓRMULA:
Cloro (ppm) = CyA (ppm) × 0,05 para 0,075
EXEMPLO DE CÁLCULOS:

CyA = 30 ppm
Cloro livre mínimo: 30× 0,05 = 1,5 ppm
Cloro livre ideal: 30× 0,075 = 2,25 ppm

CyA = 50 ppm
Cloro livre mínimo: 50× 0,05 = 2,5 ppm
Cloro livre ideal: 50× 0,075 = 3,75 ppm

CyA = 80 ppm
Cloro livre mínimo: 80 × 0,05 = 4 ppm
Cloro livre ideal: 80 × 0,075 = 6 ppm

CyA = 100 ppm
Cloro livre mínimo: 100 × 0,05 = 5 ppmCloro livre ideal: 100 × 0,075 = 7,5 ppm

E SE O ÁCIDO CIANÚRICO (CyA) ESTIVER MUITO ALTO?
Se os níveis de CyA ficarem muito altos (acima de 100 ppm), o cloro pode se tornar muito estabilizado, o que significa que muito pouco HOCl ativo está disponível, levando ao crescimento de algas e saneamento precário, apesar das leituras normais de cloro. Excedendo 100 ppm de CyA na água da piscina, o cloro se torna menos eficaz, e mesmo 7,5 ppm de cloro livre pode não ser suficiente.
A melhor solução é diluir a água da piscina drenando e enchendo novamente uma parte dela.

GÁS CLORO (Cl2) – PURO
O gás de coloração verde, sendo mais pesado que o ar, bastante solúvel em água, altamente tóxico. É usado em grandes instalações devido à sua alta eficiência.
1. Reação química na água
Formação de acido clorídrico e ácido hipocloroso.

2 . Pureza e Cloro ativo
– Porcentagem em peso de pureza =100%;
– Teor de cloro ativo = 100%;
– pH = 0 (em solução de 1%).

Vantagens:
– Alto poder desinfetante;
– Baixo custo;
– Alta pureza do produto (não introduz resíduos sólidos na água)

Desvantagens:
– Grandes riscos (elevada toxidade);
– Exige controle rigoroso e
equipamentos especializados;
– Reduz drasticamente o pH;
– Necessita de manuseio profissional;
– Grande necessidade de controle do pH;
– Movimentação de cilindros (pesados);
– Risco de excessiva cloração;
– Obrigatoriedade de testes e inspeções frequentes dos cilindros e das instalações.

Recomendo trabalhar com pH na faixa: 7,0 a 7,4.
Indicado para: Piscinas públicas e parques aquáticos. Obs: É importante saber o volume (m³) de água da piscina que está tratando e ler o rótulo para melhor distribuição dos produtos químicos específicos.

REAÇÃO DO CLORO COM PRODUTOS NITROGENADOS E MATÉRIA ORGÂNICA

Na água da piscina, o cloro atua como um sanitizante, destroindo organismos transmissores de doenças, como
certos tipos de bactérias, vírus, fungos etc, ou mesmo outros microorganismos não nocivos ao ser humano (Ex. Escherichia coli). Quando oxida completamente as matérias orgânicas, atua como oxidante; quando reage com compostos nitrogenados (nas concentrações de cloro usadas normalmente em água de piscinas), agindo como oxidante parcial, gerando cloraminas, como amônia(NH3) e uréia, formando; Mono (NH2Cl), Di (NHCl2) e tricloramina (NCl3), causando odores fortes e irritações nos olhos produto da reação do cloro com os compostos nitrogenados presentes na água da piscina, e o acúmulo de matéria orgânica.
A reação pode ocorrer em etapas,
dependendo da quantidade de cloro disponível:
1. Monocloramina (NH2Cl)
2. Dicloramina (NHCl2)
3. Tricloramina (NCl3)

As reações simplificadas são:
– HOCl + NH3 → NH2Cl + H2O
(monocloramina);
– HOCl + NH2Cl → NHCl2 + H2O
(dicloramina);
– HOCl + NHCl2 → NCl3 + H2O
(tricloramina).

Se houver excesso de cloraminas, é necessário um choque de cloro para eliminá-las. Um simples cálculo é feito para nos orientar, se ocorre formação ou não de cloraminas na agua da piscina. Acima de 0.2 ppm de Cloro Combinado sinaliza uma possível formação de cloraminas.

Onde: CT = Cloro Total ;
CL = Cloro Livre
CC = Cloro Combinado.

Digamos que encontramos os seguintes resultados ao analisarmos água de uma piscina.
– Cloro Total = 2,9ppm
– Cloro Livre = 2.5ppm
– Cloro Combinado= ?
Aplicando os resultados na fórmula abaixo.
CT = CL + CC
2,9 = 2,5 + CC
CC = 2,9 – 2,5
CC= 0,4ppm
Ou seja, o dobro do máximo permitido e com fortes indícios de formação de cloraminas e uma supercloração será necessária. Para eliminar cloraminas, aplica-se 10 vezes a concentração de cloro combinado encontrado.
Neste caso, 10 × 0,4 = 4ppm.

Então, vamos supor que o volume dessa piscina que foi identificada com cloraminas seja de 20m³ ( 20.000L). Qual a quantidade de cloro que devemos aplicar? Isso vai depender de qual derivado clorado estará usando no tratamento, digamos que seja o hipoclorito de cálcio – 65% de cloro ativo.

Qual a reação química?
Qual a quantidade deve ser aplicada para combater as cloraminas?

Bem, um cálculo é feito para que não venha desperdiçar produto, não aplicando cloro nem a mais e nem a menos.
Q = C × V / 10 × %
Q = quantidade em gramas;
C = Concentração (ppm);
V = Volume da piscina em litros;
10 = Fator de correção;
% = Porcentagem do cloro ativo.
Onde:
Q = ?;
C = 4ppm;
V = 20000L;
% = 65
Q = 4 × 20000 /10 × 65
Q = 123gr
Ou seja, para alcançar a concentração de 4ppm em uma piscina cujo volume é 20000L, derivado clorado usado
é o hipoclorito de cálcio -65% a quantidade a ser aplicada é de 123gr.

ORP NO TRATAMENTO DE PISCINAS: PRECISÃO REDOX NA DESINFECÇÃO
O Potencial de Oxirredução (ORP – Oxidation-Reduction Potential) é um parâmetro eletroquímico que tem sua unidade de medida em milivolts (mV).

No tratamento de piscinas, o ORP tornou-se uma ferramenta essencial para monitoramento em tempo real da eficácia sanitizante, especialmente em sistemas automatizados. Ao refletir a atividade do desinfetante — principalmente o ácido hipocloroso (HOCl) —, o ORP permite ajustes dinâmicos e precisos na dosagem de cloro, garantindo segurança microbiológica com maior eficiência operacional. Valores ideais de ORP geralmente variam entre 650 e 750 mV, mas sua interpretação deve sempre considerar: – pH- Temperatura; – Ácido Cianúrico; – Demanda Orgânica;
– Concentração de Cloro.

COMO FUNCIONA O ORP?
O ORP mede a tendência da água em oxidar ou reduzir substâncias químicas.Valores mais altos de 650mV, indicam uma maior capacidade de desinfecção, geralmente associada a uma concentração eficiente de ácido hipocloroso ( HOCl).

Valores mais baixos podem indicar uma deficiência de desinfetante ou presença de contaminantes redutores. – 650 a 750 mV :Desinfecção eficiente;
– Abaixo de 650 mV: Possível baixa eficiência.
– Acima de 750 mV: Possível desconforto para banhistas.

O monitoramento do ORP oferece uma leitura prática e confiável da capacidade desinfetante da água, sendo especialmente útil em sistemas automatizados. Embora não substitua as análises de Cloro residual livre, pH, Alcalinidade Total, Temperatura, Ácido cianúrico (CyA), Dureza Cálcica e Sólidos Totais Dissolvidos (TDS), o ORP complementa o controle de qualidade com respostas rápidas e ajustes precisos. Integrar esse parâmetro ao manejo do tratamento é um passo essencial para garantir eficácia sanitária, otimização de recursos e segurança contínua dos usuários.

CONCLUSÃO:
A utilização de derivados clorados no tratamento de águas de piscina permanece como uma das estratégias mais consolidadas e eficazes do ponto de vista sanitário e operacional.
Compostos como o hipoclorito de sódio, hipoclorito de cálcio, dicloro,
tricloro e cloro gás, demonstram alta eficiência oxidante e bactericida, desde que conformidade com as regras e/ou normas aplicados e monitorados dentro dos parâmetros físico-químicos adequados.
É fundamental compreender suas reações em meio aquoso, os impactos sobre o pH, alcalinidade e acúmulo de subprodutos como o ácido cianúrico e outros, especialmente em sistemas com baixa renovação de água.
A escolha do derivado deve sempre considerar as características da piscina, o regime de uso, o sistema
de recirculação e os objetivos do tratamento.

Mais do que a simples adição de um produto químico, o uso de derivados clorados exige planejamento técnico, controle analítico constante e conhecimento aprofundado de suas interações com os demais parâmetros da água.

O desafio contemporâneo é alinhar a eficácia microbiológica à minimização de riscos à saúde e ao meio ambiente, promovendo um tratamento cada vez mais seguro, eficiente e sustentável.

As informações apresentadas são baseadas em princípios químicos amplamente aceitos no tratamento de água de piscinas, incluindo normas, resoluções e da além de pesquisas acadêmicas e publicações técnicas sobre desinfecção e equilíbrio químico da água.

REFERÊNCIAS:
– APSP (Association of Pool & Spa Professionals) – Diretrizes sobre tratamento químico de piscinas.- WHO (World Health Organization) – Relatórios sobre desinfecção e segurança da água.- EPA (Environmental Protection Agency) Regulamentações sobre desinfecção e subprodutos do cloro.- Publicações científicas e livros de química da água, ( Water Chemistry for the Pool and Spa” de Boyd e Putt.)- Normas ABNT/NBR sobre tratamento de água para piscinas.- Livro Litro a Litro ( Nilson Maierá)- Pool Chemistry for Residential Pools by Robert W Lowry- CPO (Certified Pool-Spa Operator)- NSF (National Sanitation Foundation)- ANSI/APSP (American National Standards Institute / Association of Pool & Spa Professionals

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